agosto 08, 2013

As tais borboletas no estômago


Ele nunca acreditou no amor, principalmente a primeira vista. Nunca gostou de cartas de amor ou aqueles filmes de romance que vivem passando na televisão. Não acreditava nas tais borboletas no estômago, aliás, achava uma ofensa a ciência, aonde que um ser humano comum teria borboletas no estômago?! Só pode ser loucura!

Não que ele fosse um troglodita insensível, simplesmente não acreditava no amor. Na verdade, nunca encontrou o amor e não esperava que achasse, aliás, não queria achar. Ahrg, o amor... é uma total perda de tempo, ele diria.

Foi então que numa terça-feira monótona e comum como todas, ele andava em passos largos  em direção a cafeteria, perto de sua casa. Era um hábito as pessoas vê-lo por lá. O sol quente o fazia suar, faltava apenas alguns metros, então decidiu apertar o passo pra entrar logo na cafeteria com ar condicionado e se refrescar. A princípio a cafeteria estava a mesma, as mesmas mesas e cadeiras, as mesmas comidas, as mesmas garçonetes forçando um sorriso ao anotar um pedido, o mesmo caixa de mal humor, tudo comum, tudo igual, como sempre foi.


A não ser...por ela. Ela de olhos claros, cabelos castanhos adoravelmente bagunçados, tirando-os delicadamente dos olhos com as mãos. O feixe de luz do sol atravessava a janela e iluminava de uma forma perfeita suas bochechas rosadas e a pele branca. Ela nunca esteve aqui, eu notaria se ela aparecesse, ele pensava.

Ele a olhava interruptamente até que ela o olhasse de volta o fazendo revirar o olhar. Ele não queria que ela o visse olhando sem parar pra ela. Ah, droga. Ela o viu a olhando. E agora? O que fazer?!
Levantou a mão rapidamente e a garçonete veio até sua mesa, pediu um café e em poucos minutos ela voltou com seu pedido. Mas espera, o que estava acontecendo comigo?! Ele pensou. Ele tem que parar com essas loucuras. Uma euforia estranha e desconhecida tomou conta dele. Resolveu então tomar coragem, eles poderiam ser amigos, porque aquele nervosismo.

Puxando a cadeira a frente dela, perguntou se poderia se sentar. Ela abaixou o livro que estava lendo, apoiando-o na mesa e o fechando. Ela concordou com a cabeça e ele se sentou.

Que estranho, o que era aquilo que ele estava sentindo. De repente, ele sentiu uma euforia. Seguida de uma felicidade repentina. E então...o friozinho na barriga. Estou louco?! Eu só posso ter sido envenenado por aquele café! Só pode ser isso, algumas dessas garçonetes pode ter feito isso! Ele pensava apavorado. Não, ele não poderia estar louco, tão pouco envenenado. Tem uma explicação pra isso tudo. Ah, não, as malditas borboletas no estômago, pensou.

-Sou Eduardo, prazer.- Ele disse, sorrindo.

-Mel. Meu nome é Mel.- Ela disse.

Talvez isso tudo tenha sido obra do maldito destino, ou apenas uma coincidência. Ou então nenhum dos dois. Ele não fazia a menor ideia de tudo que estava acontecendo, era tudo muito novo. Mas uma coisa é certa, não foi o café, muito menos um veneno.

Foi o amor e as tais borboletas no estômago.

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