abril 14, 2014

A brecha da fechadura


Nunca pensei que isso tivesse tanta importância. Que um sentimento confundisse tanto a cabeça, e pensar que isso começou sem qualquer aviso. Essa forma que a gente aprende a desenhar quando pequeno tem uma importância muito maior do que eu imaginava. Ou que eu quisesse imaginar.

Minha cabeça sempre foi fechada pras loucuras que o coração trama. Eu sempre tranquei a porta pra ele. E nunca deixei, uma vez se quer, que ele enchesse meus dias, meus pensamentos e confundisse tudo aquilo que eu tinha certeza.

Esses dias, conversando com uma amiga, eu talvez tenha percebido isso. Essa tal amiga, é boa ouvinte. Eu fiquei lá horas falando e ela só ouviu. Porque as vezes é isso que a gente precisa. Combater seus problemas com outros não dá certo. Ela ficou lá, balançando a cabeça e de vez em quando me dizia alguma coisa. As vezes ela ria. Porque não importa a situação, eu vou sempre querer fazer as pessoas rirem com as coisas mais idiotas.

Foi aí que eu percebi que eu não sei de nada. Que eu nunca controlei meu coração, que nesse pequeno período de tempo, eu já senti tanta coisa. Que ele tem ficado dividido como eu nunca imaginei. Nesse pouco tempo, ele tramou tanta coisa. Ele descobriu tanta coisa. Foi naquele momento que eu percebi que esse sentimento aparece tão repentinamente quanto as folhas das árvores mudam de cor. A cor mudou aos poucos, mas você só notou quando ela mudou de cor completamente. Mas as cores não mudaram só pra você.

Eu tenho sorrido por nada, rido por qualquer coisa. E dessa vez a culpa não é só sua. Eu nem sei mais se você tem alguma culpa. Eu não sei mais se é a mesma coisa. Eu tenho esquecido você, mas eu não sei se quero esquecer.

Esse sentimento não aparece batendo na porta perguntando se pode entrar. Ele entra pelas brechas da fechadura. Não importa se você o convidou ou não. O coração se alimenta dele. E juntos, tudo simplesmente muda de cor.

E aí, você passa horas olhando pro teto. Você escreve, escreve e escreve, porque nunca te fez tão bem. Você observa. Você pega uma antiga playlist que você criou e ouve músicas que te colocam ainda mais pra baixo.

Se deixar levar pelo coração é como deixar uma criança sozinha em casa. Ela vai sempre estar procurando por coisas novas. Ela não vai ter medo de tentar. Não vai ter medo de escolher. O coração vai te convencendo, vai te deixando tonta. Ele bate mais forte quando a pessoa tá perto. Parece de propósito.

Eu não tenho mais certeza quem é o culpado. Meu coração aos poucos tem ficado tão dividido.

Eu deixei que isso entrasse pela brecha da fechadura. É então a partir desse momento, que eu não sei mais o que sinto. Nem por quem sinto.

6 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. Adorei seu texto, você escreve muito bem! Pode ter certeza que sempre vou vir aqui dar uma olhada nos seus textos, beijos! http://lisoliveirablog.blogspot.com.br/

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  2. Você escreveu o que eu precisava ler! Obrigada.

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  3. Lindo texto ,14 aninhos ? escreve como uma escritora já consagrada ....

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