maio 12, 2014

É o que ela diz



Fone no ouvido. Mochila nas costas. Pesada até demais. Depois ela vive reclamando da dor no ombro. 
Ela trocou de música porque a que tocava era meio triste. Ela não queria lembrar de nada triste. O dia estava bonito e o dia era feliz. E como era. 

Ela viu ele andando na rua aquele dia. Ele sorriu, ela retribuiu. 

As vezes ela fica em dúvida, se deveria mesmo ter olhado e sorrido. Se ela deveria ter apenas olhado, nada de sorriso. Se ela deveria ter dado um tchauzinho. Ou se ela deveria ter ignorado. Talvez a fizesse parecer mais interessante. Mas o que ela poderia ter feito?! Um sorriso bobo simplesmente apareceu. Ela já disse que não consegue pensar quando fica nervosa. Não que ela tenha ficado. Talvez um só pouquinho.

Ela não entende porque fica sem graça tão facilmente. 

Ela ajeitou um pouco o cabelo porque eles grudavam nas gotas de suor que caiam por seu rosto. Foi um pequeno período de tempo que os olhos deles se encontraram com os dela, mas não desviaram, mesmo os carros passando entre eles. 

Em um momento ele parou. Ela continuou a andar em pequenos passos. Enquanto ele apenas olhava. Ela se perguntou se ele sabia que era ela ali. Pensou até em gritar alguma coisa, mesmo ele estando longe. Ela lembra que você disse uma vez que ela fingiu não ver você. Ela jurou não ter visto ele.

Era verdade. Ela simplesmente não se importava no começo. Ela não andava na rua procurando, como hoje.

Pareceu uma eternidade, mas foram poucos segundos. Ele dava passos mínimos, mas mesmo assim, logo ela o perdeu de vista. A senhora no ponto de ônibus quase perguntou porque o sorriso da menina. Ela não diria nada, é logico. Não foi nada, na verdade. Coisa da cabeça dela, isso sim.

Isso não quer dizer que algo tenha mudado dentro dela. Porque não mudou.

Pelo menos, é o que ela diz. 

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