maio 23, 2014

Uma segunda eu


Aumenta a música. Abaixa o volume da televisão. Se ajeita na cadeira. Começa a escrever.

Escrever, escrever, escrever. Todo mundo tem um jeito de se abrir, de colocar pra fora aquilo que nos sufoca.

Sentimentos nada mais são que bombas. Prontas para explodir a qualquer momento, e é difícil escolher qual o fio certo para se cortar. Acabar com eles é mil vezes mais difícil do que começar a senti-los.

Quando eu criei o blog, nunca pensei que ele me ajudaria tanto. Sempre que tá acontecendo alguma coisa, por mais irrelevante que ela seja, eu venho pra cá, onde estou exatamente agora. Quando sinto o coração apertar e as palavras começam a flutuar, como em uma dança em busca de um sentido concreto.

Desligo tudo a minha volta. Aumento o volume da música no máximo e viajo pra um mundo só meu. O mundo onde eu guardo tudo aquilo que algum dia eu pensei em falar, mas deixei pra lá. Onde guardo todas as dúvidas da vida de uma adolescente. Onde meus sentimentos parecem me transformar em uma pessoa diferente, talvez você não me reconheceria se os visse. Acredite, nem eu reconheço.

Porque não importa a nossa idade, a gente sempre tem fases. Estar triste não é ruim. A tristeza, nos faz ver o mundo de outra maneira. Sentimentos bons, são bem mais fáceis de se livrar do que os tristes. Aqueles que ficam martelando a cabeça, apertando o coração. Esses são os que grudam e parecem nunca mais querer se soltar. Mas sempre conseguimos, a vida é feita de bipolaridades. Porque todos nós, somos um pouco bipolares.

Sabe, sentimentos são coisas confusas até demais e se auto julgar por eles nem sempre é certo, porque talvez amanhã mesmo, você já esteja diferente e pense diferente.

Adolescência nunca foi fácil. Parece que tudo vem em dobro. Porque cabeça de gente jovem é tão dramática. Drama pra cá, drama pra lá. A gente também tem tudo menos certeza. Quando tem, normalmente é errado. Aí vem dúvida pra cá, dúvida pra lá.

Todos nós guardamos alguém dentro de nós. Uma segunda eu. Eu guardo a Mylena que gosta de Elvis Presley, Amy Whinehouse e músicas da época da mãe. Que canta mas não tem coragem. Que sonha demais. Que é ansiosa. Que tem tanto planos, mas tantas dúvidas. Que é sensível.

Com o tempo, a gente vai combatendo nossos problemas. Não são aqueles problemas de matemática, nem o problema que você causou ao esquecer de entregar um trabalho. Tô dizendo daqueles problemas nossos. As nossas pequenas batalhas entre coração e mente. Aqueles problemas que parecem sem fim hoje, e amanhã, estão menores. Problemas que são tão comuns que é quase impossível viver sem eles.


E sabe, a Mylena durona, as vezes chora. Mas não conta pra ninguém, viu?!


4 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. Me identifiquei no texto, sempre que quero "desabafar" eu venho pro blog, porém agora que estou começando de novo (google excluí o meu blog). Não desistir, sou blogueira desde 2011, realmente nunca pensei que o blog seria uma parte de mim. Irônico é querer escrever para que ninguém veja, mais que as pessoas leiam. (risos) ou seja privacidade num blog (?)

    Amei o post, parabéns.
    Seguindo
    http://oidezesseis.blogspot.com.br/

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    1. Exatamente, tava até falando com um amigo meu que fico meio sem graça quando as pessoas falam comigo que leram meu texto. Ainda não me acostumei que esse diário não é tão pessoal. Boa sorte com o blog c:

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  2. Adorei o texto, e muitas das vezes eu já escrevi textos para desabafar mas não em meu blog, eu faço e deixo salvado no word sabe? É o único jeito!

    Beijos, Nada Proibido

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