agosto 16, 2014

A culpa é minha


Tô aqui pra te mandar um alô. Sem nenhuma intenção. Não precisa responder de imediato,só não deixa de responder. Só não deixa eu achar que estou sozinha.

Ninguém nunca me disse a aflição que é crescer. Olhar pela janela hoje e sentir falta da época em que eu tinha certeza de tudo. Em que eu aceitava tudo da maneira mas simples, sem perguntar nem o porque. Que o céu é azul porque é. Que as flores nasciam porque nasciam. Que a chuva vinha porque vinha. Que eu, era eu e não precisaria me dividir com ninguém.

Alguns entram em nossa vida, assim devagarzinho. Entre poucas conversas, poucos olhares. Quando você vai ver, tá tudo diferente. Eu não sei por quanto tempo estive fora de mim, para que tudo chegasse nesse ponto. Você veio se embrenhando por entre tudo e me achou no meio da confusão. E eu, não pensei em me esconder. Olhei, abri um sorriso e ainda disse oi.

Culpei a chuva, o frio, as estrelas, o tiozinho da padaria e você.

Por algum tempo, acreditei que tudo estava certo. Que as coisas iam bem. Foram tantos sorrisos inesperados, olhares castanhos se encontrando por entre toda a multidão.

Esperava as perguntas sobre o tempo, o jogo de ontem, e qualquer outra coisa. Mesmo que as respostas fossem irrelevantes. Torcia para que não fossem perguntas difíceis. Daquelas que eu ainda não sei responder. Ou aquelas que você ainda não me trouxe as certezas.

Culpei o tempo, o cansaço, o sapato apertado e você.

Pedi que não levasse minha paz. Não sou tão calma quanto pareço. Nem tão forte quanto pareço. Guardo minha dor escondida do mundo. E pior, ainda tento transformar ela em arte. Passo por tantos conflitos comigo mesma, que demoro a responder. Não precisa se importar quando me ver viajando nos meus próprios pensamentos, nem se impressiona se eu desaparecer.

Eu sou a que menos sei sobre mim. Eu sou a que mais rende dúvidas. Eu nunca sei da hora e tô sempre perguntando que dia é hoje. Quando tá escuro, nem eu consigo me ouvir.

Culpei a bateria fraca do celular, o medo e você. Mas no fim, eu percebi. A culpa é minha mesmo, e sempre foi.

Tá. Eu admito, sou sensível. E ser sensível é uma bosta.


10 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. Respostas
    1. Pode ser meio estranho o que vou falar mas...Que bom que você quase chorou! hahaha Fico feliz que tenha gostado c:

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  2. Que texto lindo... Você escrever muito bem! :D
    estreladomarmarinagomes.blogspot.com.br

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  3. E eu adorei o texto, bem reflexivo. e sim a culpa é sempre nossa, nunca é das estrelas rs

    Beijos

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    1. Seria melhor se fosse das estrelas, né? rs c:

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  4. Maggie, amo o jeito que você escreve. Amei especialmente esse texto, pois ele me descreveu perfeitamente!

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    1. Que bom, Amanda! Fico muito feliz em saber.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Maggie, adorei seu texto. Crescer é uma aflição mesmo, as responsabilidades aumentam muito, os amores florescem, e as decepções aparecem... Mas tudo isso nos faz crescer :)
    Um xêro e um beijo!

    *apaguei o outro porque comentei no canto errado, kkkkk*

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