agosto 09, 2014

Meu coração é igual a plástico bolha


Algum dia qualquer, me perguntaram se eu conseguia chorar. O assunto era teatro, e eu não lembro muito bem como chegamos lá. Eu disse que sim. Naquele momento, se me pedissem, eu conseguiria chorar.

Foi aí que eu percebi.

As vezes, penso e não falo. Sinto, mas prefiro não demonstrar. Alguns sentimentos, guardo debaixo dos travesseiros, escondido por entre livros na estante, ou mascarados por entre uma música e outra. Outros, guardo no coração. Eu acumulo os momentos tristes, pra depois pagar com juros.

Nas últimas semanas, no grande vazio, eu tô cheia de tudo. Ando pelas ruas me perguntando de onde vem a calma do cara sentado no bar. Da mulher cuidando do quintal. Tudo sereno até demais. E eu sinto falta do tempo que tinha certeza de tudo.

E diante da minha confusão, corro pra escrever. Mas no final, o problema mesmo, é minha mania de tentar achar sentido em tudo. Já me perdi tentando contar quantas vezes segurei as lágrimas pra ser forte.

Semana passada, eu chorei. A primeira lágrima saiu tímida. Daquelas que demoram pra cair. As próximas, foram desesperadas. Sem motivo, só por chorar. Molhar os olhos que a tampo tempo estão secos.

Me disseram que eu deveria ser mais vulnerável.

Quem disse, sabia o que dizia. Não falava bobagem, nem nada. Convenci a mim mesma que meu coração não é de ferro. Que eu sofro por bobagens e coisas simples me deixam feliz.

Cansei de me preocupar com sinais. Sinais quais, doíam o coração, por mais que mínimos. Peço a todos, por favor, que sejam mais diretos. Cansei das coisas lentas.

Meu coração é igual a plástico bolha. Quando mais você estoura as bolinhas, ele cada vez me protege menos. Eu vou deixando de ser forte até que chega o dia, em que eu tô cansada de sempre tentar ser de ferro.

Devemos lembrar que sempre existem flores no caminho, o que diferencia é a maneira que a vemos. Pra alguns, elas estão coloridas e vivas enquanto para outros, elas morrem aos poucos. A escolha entre as duas está em nossas mãos


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