janeiro 12, 2015

As minhas aulas de ballet


''Adoraria te ver dançando de novo. Fazendo sucesso.''

Largo o celular por um instante. Os bailarinos na TV pareciam flutuar. Giravam tantas vezes que eu me perguntava como eles não ficavam tontos. Nas minhas aulas de ballet, eu fazia de tudo para manter o equilíbrio. Via os olhos da minha mãe brilharem ao ver a cena. Ela é do tipo que chora por tudo, qualquer notícia na televisão é motivo pra abrir a boca. Já me acostumei, e precisei, pelo fato de eu ser extremamente ao contrário. Prefiro chorar na minha, o que já é raro, do que sair por aí chorando por qualquer coisa. Isso até entrou pra minha lista de metas (secretas) de 2015: Chorar mais, por qualquer coisa, é só chorar. As vezes sinto que carrego tanto peso que poderia ter deixado pelo caminho, pesos que não deveria carregar.

''Eles tem paixão. Eu acho que nós devemos fazer o que nós temos paixão, é diferente de só gostar.'' Retruco.

Eu sempre gostei das aulas de ballet, elas fizeram parte da minha infância e da minha adolescência. Na época, eu amava. Nem ligava pras bolhas nos meus pés, graças a sapatilha de ponta. Não me importava de passar horas e mais horas dentro de uma sala repetindo os mesmos passos.

''Ela é incrível, nunca deixe ela parar de dançar.'' Foi o que uma das minhas professoras disse a minha mãe em uma das minhas apresentações. Isso já faz anos, mas me lembro perfeitamente. Minha mãe ficou tão feliz que só faltava tatuar essa frase na testa, pra todo dia que se olhasse no espelho ela se lembrasse disso.

Os anos se passaram e eu parei de fazer ballet. O colégio começou a ficar mais difícil, boa parte das minhas amigas tinham saído das aulas, etc, etc. Minha mãe ficou triste, óbvio, mas o orgulho que ela tinha comigo no ballet virou o orgulho de outras coisas. Eu sempre fui bem no colégio, ganhava prêmio de melhor da sala, melhor redação, melhor trabalho, fui convidada pra fazer uma prova internacional e passei, ela sempre ouvia bem de mim dos professores e diretores. E eu sempre fui o tipo de filha que o meu maior objetivo era dar orgulho pra minha mãe, que se sacrificou e lutou tanto por mim. Quando ela comprou um teclado pra mim eu nem ligava tanto, mas toquei e me esforcei pra aprender algumas músicas porque ela era apaixonada, e eu via nos olhos dela o mesmo orgulho de quando eu ia bem na escola ou enquanto eu dançava.

A verdade é que eu amava dançar, e amo até hoje, mas sempre foi um hobbie. Eu gostava de tocar teclado, mas nada mais que gostar. Quando eu criei o blog e minha mãe percebeu todo o meu amor pela escrita e pela internet eu pude ver o mesmo brilho em seus olhos. Então percebi. Nada daquilo era uma cobrança. Minha mãe sempre me amou não importa o que eu estivesse fazendo, seja dançando, cantando, tocando, escrevendo. Isso me fez entender que eu posso ser o que eu quiser. Eu posso ser simplesmente eu, fazer aquilo que eu amo. E eu vou.

Pode anotar aí ou até apostar uma boa grana porque eu ainda vou tornar meus sonhos realidade. E se vou. 

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