julho 30, 2016

What happeneed, Miss Simone?


What happeneed, Miss Simone? Demonstra os desejos, as dúvidas e a vida por trás de uma mulher que se tornou ícone.

A partir dos relatos de seu ex-marido, filha, amigos e companheiros de música, a história de Nina se desdobra. Era Eunice Kathleen Waymon, nascida na Carolina do Norte em 1933. Desde pequena, é vítima da segregação étnica vivida nos EUA, fato que irá motiva-la a se tornar uma mulher que luta pelos seus ideias.

Mais velha, Nina entra no ramo da música. Uma inovação em um meio com predominância masculina e branca na década de 60 e 70. Vivia pelo trabalho e o trabalho virou sua vida. Seu sonho de infância de se tornar a primeira pianista clássica negra, acabou por se perder entre horas de shows. Se encontrou diante uma indústria que transformava a música em um comércio. Apesar disso, Nina não deixou de transparecer seus sentimentos e seus ideais em suas canções.

“Ela era brilhante”. Disse sua filha, Lisa Simone. Era voz, ideias, símbolo. Mas quem realmente era em seu âmago?

Nina era o desejo de liberdade. Tal liberdade que a motivou e a atormentou por toda sua vida. Queria, antes de qualquer coisa, ser livre. Mas o que poderia liberta-la?!

Apaixonou-se por Andy, que a espancava e a obrigava a trabalhar sem parar, transformando sua paixão pela música em seu cansaço.

Quando entrou nos movimentos contra o racismo, Nina mergulhou de cabeça naquilo que foi sua vida, toda a discriminação que a acompanhou desde a infância. Não participar da revolução era ir contra sua própria existência. “Não tive escolha. Não há como viver essa época, nesse país e simplesmente não se envolver”. Dizia.

Teve contato com grandes nomes ativistas como Martin Luther King e James Baldwin que a motivaram a lutar. Se tornou um símbolo na revolução, mas encontrou na mesma, uma segurança, uma forma de se livrar da solidão e angústia que a perseguia em um casamento abusivo e uma vida difícil. E talvez, tenha sido onde Nina sentiu que pudesse ser o que quisesse. Ser negra, mulher e livre.

“Vou te dizer o que é liberdade para mim. É não ter medo”. Nina disse em uma entrevista.

Ao final do documentário, nos é deixado questionamentos sobre nossa própria vida. O que é, de fato, ser livre? Para Nina, sua liberdade era não ter medo de ser quem quisesse ser. Lutou e não se calou. Seus ideais permanecem vivos e agora se torna nossa vez de lutar. Nina nos inspira e vai nos inspirar por muito tempo, enquanto não nos calarmos.

2 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. Nina e sua incrível história de vida que inspira todas as mulheres, principalmente nós negras, que sempre sofremos represálias de tudo e de todos o tempo todo.
    Gostei da forma como tu falou sobre o documentário, fiquei com vontade de assistir.

    Beijos
    Mundo de Nati

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    1. Assita, Natália, você vai gostar! Me conta o que achou depois...

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