agosto 15, 2016

Os muros do medo


Historicamente, em 9 de novembro de 1989, caia o Muro de Berlim, que por anos, separou povos devido suas ideias políticas divergentes. Em 2002, o Muro de Israel evidenciava a difícil paz entre judeus e muçulmanos. Alguns se erguem, outros caem, mas ele continuam a existir ao redor do mundo.

Sejam feitos de alta tecnologia, tijolos, ferro ou de pensamentos, os muros estão e sempre estarão presentes. Com dezenas, centenas ou milhares de metros de extensão, separando povos, cidades, nações, ideais e nossa própria existência. Mesmo que sujos de sangue.

Quando era menor, passava os dias na casa da minha avó, enquanto minha mãe trabalhava. Muitas vezes, sentava na frente da casa, olhava os grandes muros que a cercavam e me perguntava porque não podia ver além. Eram muros que me separavam do mundo lá fora. Observar as pessoas andando, ver o que acontecia naquelas ruas, brincar no parquinho, ou só sentir o vento no meu rosto.

“É perigoso”. Me diziam.

E me continha a olhar as plantas e encontrar diversão dentro daquela casa antiga.

Certa vez, um professor de matemática me disse que para resolver um grande problema, é preciso reduzir o espaço amostral, ou seja, pensar nele em uma escala menor. Entender sua base, para só assim, resolver algo grande.

Talvez seja isso. A base da criação de todos os muros nasce da própria natureza humana . Talvez tenhamos essa tendência de criar muros, pelo próprio fato de cria-los dentro de nós mesmos, dividindo nosso próprio ser. São construídos para manter a estabilidade, para que não seja preciso enfrentar o que há de pior dentro de nós. Defeitos, erros cometidos, medos, angústias, preconceitos, egoísmo...

Dentro do caos os muros se personificam em amigos, protetores, que permitem trazer o conforto mental e a distante e ilusória promessa de paz. Assim construímos essa muralhas que nos esconde de forma reconfortante.

O que une todos os muros é o medo de enfrentar.

Medo de enfrentar o lado obscuro e desumano de quem somos. Medo de desafiar a violência lá fora. Medo da diferença entre cada um de nós.

Assim, criamos muros. Seja covardia ou fraqueza, criamos muros. Muros que, independente de pretextos, precisam ser derrubados.

3 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. Excelente reflexão, Mylena! Lembra do congresso que fui em julho? Pois é, tem tudo a ver com este seu texto.

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  2. Oi, tudo bem?

    Nossa, achei s e nsacional a sua reflexão! Sinto falta desse tipo de post na blogsfera e, assim que o vi, corri pra cá <3
    Falar de muros internos, provavelmente, é o debate mais difícil, porque, muitas vezes, nos vendamos para nós mesmo e tornamos inacessíveis partes essenciais de quem somos, ou de quem queremos ainda ser e libertar. Acho que todo muro pode ser também uma analogia para algum tabu. Um tabu, acho, faz exatamente isso: separa as pessoas, cala-as em si mesmas, torna-as ilhas. Em contrapartida, se não existissem os muros, não existiria o progresso.

    "O que une todos os muros é o medo de enfrentar. Medo de enfrentar o lado obscuro e desumano de quem somos. Medo de desafiar a violência lá fora. Medo da diferença entre cada um de nós." - bem isso mesmo.

    Amei demais, parabéns, com certeza quero voltar mais vezes *-*

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  3. Na teoria é bem fácil dizer pra destruirmos os muros e contruirmos pontes indestrutíveis, mas só quem vive o que vivemos sabe como é difícil colocar em prática. Nem todo mundo lida da mesma maneira com as coisas. Muito bom o teu texto!

    Beijos
    Mundo de Nati

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