setembro 19, 2016

O labirinto do fauno e o poder de imaginação

Estou no segundo ano do ensino médio e a medida que cresço é exigido de mim maior maturidade, responsabilidade e a capacidade de fazer grande escolhas. Percebo que o passar dos anos, sou engolida, sem que eu se querer saiba, pelo mundo real. Ou melhor, o mundo dos adultos.

Um mundo onde é preciso mergulhar no sistema, por mais que não se queira, e lidar com ele. Adultos estão sempre correndo. Correm pro trabalho, pro almoço, correm pra casa, correm pela vaga no concurso, correm pelas contas não pagas, correm pela comida na mesa, correm, correm e correm.

Dias desses me vi sentada na beira da cama. Parada. E me perguntei, quanto tempo fazia que simplesmente fiquei parada, só sentindo a respiração, o coração desacelerado, batendo com calma. Fazia tempo.

Mas é preciso seguir. Procura-se uma fuga, e nos deparamos com a imaginação.

A personagem Ofélia, do filme O Labirinto do Fauno encontrou sua fuga. Uma menina de 10 anos, apaixonada por livros e contos de fada que passa a morar numa cidade do interior com sua mãe, por vontade do marido Vidal, que lidera tropas facistas no combate de grupos rebeldes, sendo um homem extremamente violento e frio. Diante sua realidade, Ofélia passa a viver em suas fantasias um mundo que por mais perigoso que pareça, é muito mais seguro que o mundo real.

Quando vi esse filme, me veio a ideia de que é preciso existir uma Ofélia dentro de cada um de nós. Vivemos uma realidade em que nosso ser clama pela imaginação, já que é nela, que podemos esquecer preocupações, as dores, e escapar da realidade, que muitas vezes, nos assusta. É onde o crescer, pode não ser algo ruim. Sem a imaginação somos massinhas prontas para serem moldadas, porque não possuímos vontades e aspirações, então simplesmente absorvemos tudo que o mundo escolher.

De certa forma, o mundo lá fora nos endurece. E cabe a nós, manter a ordem dentro de nós. Impedir que endureçam nosso coração. Impedir que esse mundo cheio de máquinas nos torne uma também.

A imaginação nos leva ao infantil, ao mais puro que já fomos um dia.

O mundo atual possui um vírus contagioso de seriedade, e qualquer médico recomendaria uma dose de imaginação por dia.


2 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. Eu não queria ser adulta nunca quis, sempre quero voltar pros meus 15 anos, porque ser adulto em uma situação financeira não tão favorável quanto aos demais na minha volta está sendo muito difícil. Ser adulto só é bom pra quem tem dinheiro.
    Muito bom o teu texto!

    Beijos
    Mundo de Nati

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  2. Obrigada, Natália. Tenho sofrido essa pressão, é bem tenso,viu?!
    Que bom que ainda temos escapatórias pra não enlouquecer nesse mundo.

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