outubro 06, 2016

Ilha do medo, Foucault e a loucura

"Nau dos Loucos" do pintor Hieronymus Bosch.
O que é ser normal?

É viver como todos? Casar, ter filhos, comprar sua própria casa, ter um carro e acordar cedo para trabalhar?

Até onde o conceito ser “normal” não manipula nossas vidas? Já que diariamente julgamos algum acontecimento como normal ou anormal, verdadeiro ou falso.

Esses questionamentos me vieram a cabeça enquanto via o filme Ilha do Medo (Shutter Island) dirigido por Martin Scorsese. A obra conta a história de Teddy que investiga o desaparecimento de uma paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, um manicômio localizado numa ilha. Lá descobre a realização de experiências científicas com pacientes, como por exemplo a lobotomia e os testes com drogas.  

A trama do filme, principalmente pelo seu final, se abre para diversas interpretações. Se Teddy era realmente um policial a investigar um desaparecimento ou um dos pacientes do manicômio que fantasiou toda história como forma de fugir da sua própria realidade. Paralelo a isso, algo me fez pensar ainda mais: o que é loucura?

Sendo um filme baseado na filosofia foucaultiana sobre a loucura, demonstra uma das maiores críticas do filósofo que era o tratamento de indivíduos para que deixassem de ser diferentes, para que se encaixassem na sociedade e suas regras ou fossem esquecidos.

É um fato a imposição de padrões de normalidade que devem ser seguidos por uma sociedade, onde o medo da exclusão, um dos fatores que nos impede de pensar fora dessas regras. Assim, a obediência e conformação nos mantém “salvos” na sociedade.

Ou seria essa nossa verdadeira alienação...

Se pensarmos então no individual, o que seria correto para mim, poderia ser totalmente errado para outra pessoa. Porém, o que vivemos se distancia da importância do pensamento individual, e sim, se baseia na ideia de universalidade. Os indivíduos se afastam das suas particularidades e passam a buscar a aceitação.

Cria-se, assim, um paradoxo, a loucura só existe graças a normalidade. E mais, só existe pela impossibilidade de todos se encaixarem em um único molde pré-determinado do que é correto moralmente.

Mas então surge o questionamento: o que é realmente é a loucura? É sair das regras? É viver de forma diferente, extravasar seus traumas mais profundos...

Determinar alguém como louco não seria, então, o medo da diferença?  O que se deve fazer? Deixá-los longe do alcance de nossos olhos ou integrá-los?

No final das contas, não somos todos loucos? E sendo assim, como poderíamos julgar loucos? 

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