dezembro 08, 2016

Crítica Série 3% - 1º Temporada

A criação de filmes e séries distópicas se tornou uma tendência. Sempre abordando um futuro onde a exclusão social se torna um extremo e a sociedade é dividida entre bons e maus. Assim como é visto em filmes como Elysium, Divergente, Maze Runner ou Jogos Vorazes e agora na primeira série nacional original da Netflix: 3%.

A história se passa em algum lugar no Brasil, onde, agora devastado, possui a maior parte da população vivendo no Continente, um lugar miserável em que seus habitantes sofrem com a falta de recursos e a pobreza. Ao atingirem  20 anos de idade, possuem o direito de participarem do Processo, onde são submetidos a testes que irão decidir sua única chance de ir para o Maralto, um local com a promessa de uma vida perfeita. Porém, apenas 3% serão aceitos. 

A série, criada por Pedro Aguilera e com direção geral de César Chalone, era, na verdade, uma web série em 2011. O episódio Piloto demonstrava uma ideia interessante mas que por não conseguir apoio, não teve continuidade. Apenas há pouco, surgiu novamente, com várias modificações.

Logo no início, a falta de naturalidade nos diálogos me incomodou. Principalmente por se tratar de uma produção brasileira, qualquer deslize nas falas é facilmente identificado. O problema se perpetua durante toda primeira temporada. Devido a isso, alguns personagens simplesmente não crescem e acabam pondo em risco a seriedade das cenas, que, muitas vezes, é salva pelas atrizes Vaneza Oliveira (Joana), Bianca Comparato (Michele) e o ator Rodolfo Valente (Rafael).

E, apesar de um pouco cansada de distopias que abordam os problemas de forma igual, 3% trouxe uma boa crítica e ao mesmo tempo, mais palpável, por se tratar de uma criação brasileira. Toca em pontos importantes como a pressão e todo processo de seleção para vestibulares e concursos públicos, que muitas vezes, são ineficientes e não avaliam a capacidade do candidato.

Paralelo a isso, algo que me chamou atenção positivamente na série, é a dualidade dos personagens. Ora julgamos certo personagem como o bonzinho, ora, o julgamos como o vilão. Além de todo suspense acerca do Maralto, que nos é passado apenas como o local ideal para se viver feliz, mas seria essa a verdade?

Além disso, nos traz o questionamento do que realmente é justiça e igualdade. Como definir quem é e quem não é merecedor? Como o sistema pode definir isso? Como agir de forma justa com todos?

Independentemente de problemas produtivos, e de roteiro, onde algumas informações são insuficientes ou perdidas, 3% representa um grande avanço no audiovisual brasileiro e possui uma história poderosa capaz de traçar bons caminhos.

2 comentários / COMENTE TAMBÉM

  1. A série está na fila de espera hahahaha
    estou doida para assistir <3

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    1. Boa, Clayci! Assiste e depois me diz o que achou, ok?

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